segunda-feira, outubro 30

"Afinal sempre há quem não nos envergonhe"

Transcrevo aqui um artigo de Nicolau Santos, publicado no jornal Expresso.



"Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade derecém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial detecnologia de transformadores.

Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados.

E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual vocêpode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais.

E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde sefazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção deenergia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.

Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA oupara outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou quedesenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagensdas auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou queproduz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.

E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a AgênciaEspacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistemamundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelentequalidade um pouco por todo o mundo.

O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.

Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, comsede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software,Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta doMonte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e AmorimTurismo.

E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anose anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tiposão vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

É este o País em que também vivemos.

É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas nasaúde, no ambiente, etc.

Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou oprogresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.

Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossossucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.

Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?"


Nicolau Santos,
Director-adjunto do Jornal Expresso
in Revista Exportar

Hoje estava à procura de escrever sobre algo diferente mas parece-me que não é possível. Por isso acho que vou falar de:

sábado, outubro 28

Vem aí...

A 2ª Temporada de Inspector MACS...

quinta-feira, outubro 26

Nem de propósito!


No dia em que faço um teste de História para o qual tive de estudar o fontismo, cumprem-se exactamente 150 anos da realização da primeira viagem de comboio em Portugal (Lisboa - Carregado).

Nas suas memórias, a Marquesa do Cadaval escreve o seguinte: "Só no dia seguinte [ao da inauguração do caminho de ferro] ouvimos contar certas peripécias dessa jornada da inauguração. A máquina, das mais primitivas, não tinha força para puxar todas as carruagens que lhe atrelaram e fora-as largando ao longo da linha (…) Passaram muita fome os que ficaram pelo caminho (…) semeados pela linha, só chegaram alta noite a Lisboa depois de variadíssimas aventuras (…) Até andou gente com archotes pela linha, à procura dos náufragos do progresso."

quarta-feira, outubro 25

Caríssimo vizinho do 3c e afins (outra vez e por fim)

Não quero mais falar de abortos. Para aborto basto-me eu. J.B.A. – outros blogs, outras conversas – alertou me para o facto de isto ser um discurso de surdos. Realmente é verdade. Todos se podem revestir de todos os argumentos que querem mas a verdade é que o conceito/definição de Vida e impossível de dar – independentemente das habilidades que um feto/embrião possa fazer.

Aquilo que sempre alertei é para o facto de haver uma incerteza grande o suficiente para haver muita confusão – e não certezas tão absolutas como toda a gente me parece ter. Alertei para o facto de todo o metadiscurso estar baseado numa crença pessoal e intransmissível – coisa que ninguém ainda discordou. E por aqui me calo que estou um bocado farto desta m*.

Até por que hoje em conversa com J.B.A. fui alertado para uma peculiaridade engraçada. Discute-se o sexo dos anjos. Em Portugal há uma lista de espera tão grande que quando se realizar tal cirurgia, muito provavelmente, já a criança nasceu. É realmente o sexo dos anjos, porque neste canteiro à beira mar plantado não se passa mesmo nada – nem um abortozito de quando em vez para animar o pessoal, é uma chatice não há cartazes na rua e etc….

Não quis chocar nem ferir susceptibilidades com este discurso, mas um blog onde todos concordam é uma chatice. E acho que sabem o que penso sobre essa temática (a da chatice). Não o fiz por provocação (a do aborto), fi-lo porque acho que toda esta conversa e resumivel a um ponto que ninguém quer muito confrontar-se com ele.

Como nota final gostaria de enunciar a minha posição sobre isto tudo: Pessoalmente não faria um aborto – até porque last time i checked i was a guy… – mas tambem não o encorajo. Perante a dúvida da existência da Vida prefiro não arriscar. Parece me mais razoável. Mas se votasse votaria a favor – talvez não a favor da despenalização – mas sim da descriminalização. É uma decisão pessoal baseada em crenças que são, de todo, absolutas. Cada um deve pesar a sua decisão com os pesos que tem – ninguém e desconfio que nem mesmo Deus, embora acredite que possa estar errado – ninguém pode censurar que se alguém tiver os pesos errados tome a decisão errada. Eu pessoalmente não arrisco. Mas se houver quem estiver disposto então decida ela e encare ela mesmo as consequências. Por isso vale a pena pensar bem. Não me considero assim tão grande para me impor contra alguém, muito menos sem certezas de facto. E pronto não escrevo mais sobre isto. Acabou. (ponto).

Aceito com toda a certeza o abraço do meu vizinho do 3º andar, e se ele me souber identificar peço lhe que me dê uma palavrinha no elevador. Porque embora estes escritos lhe estejam endereçados a explicação por detrás disso é bem mais simples e descomplicada do que possa imaginar. Nada do que foi por aqui escrito lhe foi especialmente destinado – só mesmo estas alineazitas. Alem disso levantou um ponto importante que ainda não tinha pensado. E já agora não lhe retribuo o abraço até me dar essa palavrinha no elevador. Nessa altura dou lhe dois. Se assim quiser, claro.

Abraços, beijinhos e indiscrições afins a todos

Resposta ao ex-vizinho do 3ºC e afins:


O meu texto escrito as três pancadas já me fez alvo de comentários como “Vai matar criancinhas para tua casa”. Acho que fui muitíssimo mal interpretado já que o texto não foi lido a luz que eu queria, muito provavelmente por culpa minha.


Em primeiro lugar, recuso me a auto intitular-me como defensor da moral e dos bons costumes, o defensor da vida e paladino da verdade. Das verdades que tenho, mas principalmente das que não tenho bem certeza. Acho que esse tipo de títulos – auto propostos ou não – roçam o jocoso, ficam mal a qualquer um e nem sequer são bonitos. Não gosto de discursos fáceis e o assumir-se como defensor da vida através do aborto e fácil demais. A vida e realmente um assunto sério demais para ter sequer vinculo politico. A ver vamos se, por exemplo, Paulo Portas ou Santana Lopes não aproveitarão este assunto para fazer uma reentre politica muito própria duma certa direita (ou centro-direita). Identificar-se-ao como os defensores da vida, defensores da Igreja e dos bons costumes, farão bons casos apresentando os mesmos clichés já ouvidos em discursos inflamados como os paladinos do raio que os parta fazem – cheios de gestos, gritos, suores na testa e eteceteras que só interessam para benefício deles próprios. Mas como digo, a ver vamos.

Em segundo lugar há a questão do discurso que está por trás de toda a questão do aborto. Aquilo que, fundamentalmente, eu estava a alertar no meu textozito escrito sem grande preocupação – achei que as pessoas que liam este blog pensavam mais um bocado sobre aquilo que lêem antes de refutar cabalmente qualquer opinião contrária. Enganei-me certamente. A questão central – ou pelo menos a mais importante – abordada naquele texto é simplicíssima: A definição de Vida qual é?

A conclusão – que a propósito também está patente nesse texto – é que é impossível definir conclusivamente o que é a Vida. Antes de me alongar mais queria explicar um pormenor: vida pode ser a animal irracional. Vida – com o V grande – é a vida de um ser humano completo. Então – agora que acho que estão todos os pontos nos ís – como separar conclusivamente vida de Vida? Quando é que a vida é promovida a Vida?

Acredito piamente que ninguém sabe – atenção sabe – responder a esta pergunta. O máximo que todos aqueles que me mandam matar criancinhas para casa podem dizer é que acreditam que é na concepção. Acreditam. Não sabem. Não tem certeza nenhuma. Mas revestem se da autoridade dos legítimos defensores da vida, consideram se os paladinos da verdade e querem, do alto da sua incerteza factual, impor uma crença própria e intransmissível aos outros. Obrigá-los a acarretar uma decisão própria e intransmissível que nem sequer é deles.

Um texto como este vai ter certamente a irónica pergunta: “então se não é na concepção é na 10ª semana?” Não sei. Perguntem ao feto. Ah esperem ele não fala, ainda não bate o coração e o cérebro mal se começou a desenvolver. Se calhar até já tem inteligência. Mas quanta? A mesma que uma mosca? Se ele disser “bzz” até que é capaz. Mas as moscas são umas chatas e então quando à noite zumbem ao meu ouvido só quero mesmo é mata-las. “é diferente porque um feto é um ser humano em potência” resposta: a frase é falaciosa. Em potencia nega o facto de ser humano. Em potencia nega também o facto que ele seja hoje um ser humano. Nega a argumentação de que a vida é atribuída no momento da concepção.

Acho então que ficou mais ou menos claro que resta só a dúvida, mas são duas da manha e o assassino de criancinhas precisa do seu sono de beleza que amanha acorda as sete. (comentário à P.H.S.S. querem o quê?)

segunda-feira, outubro 23

Desabafo das 23h45 (e da noite de hoje)

Preciso de parar para rezar.


Preciso de um Café, de Exercícios, de momentos de oração privilegiados....




... (temo confundir tudo isto com "preciso de sair daqui")



Isto é, nada mais nada menos, que um cão com uma gabardina amarela! Onde? No jardim ao pé de minha casa.

Eles andem aí...

domingo, outubro 22

O aborto: ainda outro ponto de vista!

Dando seguimento à discussão sobre a temática do aborto, apraz-me dizer o seguinte: porque não votar talvez? Porquê reduzir as coisas a sim e não? Talvez é a melhor opção!Deixa tudo como está, dá mais uns meses de campanhas, de entrevistas e notícias. Distrai-nos de assuntos mais importantes do que a legalização do aborto e adia uma ida às urnas, algo que é sempre divertido.
Por um futuro ocioso, despreocupado e "prá frentex", votem Talvez!

sábado, outubro 21

O aborto: Um prisma diferente – só para contrariar

A questão do aborto pareceu-me vista um bocado superficialmente pelo meu caro colega bloguista. A questão do aborto perde-se na definição de vida. De Vida – com maiúscula como acho que fácil de concordar.

Nunca nada nem ninguém conseguirá dar uma definição clara, objectiva e irrevogável do que constitui a Vida Humana. Não se resume a batidas de coração, funções digestivas ou outras mais indiscretas. Passa pela capacidade de raciocinar/pensar/sentir/whatever. E provem me lá que um feto raciocina/pensa/sente/whatever. A questão do aborto esta indexada a esta dúvida e á resposta pessoal e intransmissível que cada um dá a esta pergunta.

Não adianta tentar convencer ninguém. Todos nos estamos cheios de certezas sobre o que se passa. E quando chega a altura de defender uma posição baseada na existência da Vida numa pessoa/feto, os a favor afirmam “para mim a Vida existe no momento da concepção” E o que se pergunta da esquerda é: E se estais errados? Valerá mesmo a pena forçar alguém a sofrer pela futura existência de alguém? Então pergunto á direita: Usa-se contraceptivos?

A definição de Vida é indefinível. Se votasse, votaria sim. Apostaria no crivo crítico do Homem para o guiar no caminho certo. Para faze-lo viver conforme a sua definição de Vida. Porque essa definição é realmente indefinível e porque todos os lados são realmente demasiadamente rebatíveis. É impossível haver uma definição Universal de Vida

O que defendo é, muito essencialmente, Fé no homem e no seu crivo crítico pessoal e intransmissível.

quinta-feira, outubro 19

O aborto, uma vez mais

Hoje foi aprovada, na Assembleia da República, a proposta de realização de um referendo para a despenalização do aborto até às 10 semanas (2 meses e meio).

Passando à frente o facto de inúmeras questões relacionadas com a Justiça e com a Economia, que tanto foram apregoadas, e com a presidência portuguesa da União Europeia daqui por menos de um ano terem agora passado para segundo plano, a questão que é levantada sobre o aborto tende a cair numa demagogia já bastante comum.



Um argumento apresentado para a despenalização do aborto é a liberdade individual. Diz-se, e bem, que o Estado não deve superintender a vida pessoal de cada um e não deve interferir na liberdade de cada cidadão. Tudo isto é verdade. Tudo isto é verdade até ao momento em que há outra vida dentro desta situação.


Uma pessoa pode-se suicidar ou auto-flagelar e estes actos não são, naturalmente, puníveis. Porquê? Porque dizem única e exclusivamente respeito à vida de uma só pessoa, não interferindo (pelo menos directamente) com a vida de terceiros. Uma pessoa, como é óbvio, não pode matar, não pode roubar, não pode agredir outra pessoa! Porquê? Porque através dos seus actos está a interferir na vida de terceiros. Nesta situação, é obrigação do Estado, mediante o seu sistema de Justiça, proteger os cidadãos e punir aqueles que matam, roubam ou agridem terceiros.


Da mesma maneira - e não querendo comparar um assassínio pelos mais terríveis motivos ou qualquer outro crime com um aborto, tendo em conta as situações que podem levar a este acto -, não é admissível que o Estado não puna (isto é, esteja escrito na Lei que só é permitido abortar até às 10 semanas mas que não haja qualquer sanção para a violação desta lei) quem comete aborto por um motivo que não seja deformação do feto, violação ou perigo de vida da mãe.



Mais.


Como podemos nós conceber que uma mulher possa abortar uma criança até esta ter 10 semanas de gestação, mas que uma outra mulher que aborte ao fim de 10 semanas e uns dias já seja julgada pelo mesmo acto? Que diferença há entre as duas crianças? Que diferença há entre as duas mulheres? Que sentido faz impôr prazos (sim, prazos!) para a permissão da extinção de uma vida humana?



Concluindo, há que ver três pontos fundamentais:

  • É absolutamente ridículo perguntar aos Portugueses se acham se um crime deve ser punido ou não;

  • Esta questão não é, nem pode ser vista (e se o é, é porque a demoagogia já dominou este debate) como uma guerra com as mulheres que involuntariamente engravidam, ou que vão ter uma criança numa altura que financeiramente não lhes é "conveniente".

  • Se exigimos que a Justiça seja aplicada sobre aqueles que põem fim à vida de terceiros que já nasceram, também o deveremos fazer em relação àqueles cuja vida já começou pois todos eles têm em comum um ponto: o facto de serem seres humanos.

segunda-feira, outubro 16

A estudar.

quinta-feira, outubro 12

A besta e os chatos

Andei por aqui a pensar – já não me lembro bem a que propósito – em C.. É um gajo de quem eu até gosto. E é mais esperto do que parece. Dá as aulas de uma maneira interessante, de modo a que seja fácil saber que resposta é suposto dar nos testes. No entanto nada disso altera o facto do gajo ser uma besta – ou para por as coisas de uma forma mais correcta, se faça de besta.

Eu e os meus botões andamos por aqui a pensar – embora eu na realidade esteja nu e desprovido de botões mas adiante – [estive a pensar no] quão desinteressante seriam as aulas desse determinado prof. se o senhor não agisse como uma besta. A única e simples palavra para descrever a complexidade daquele ser é besta. Ora, se toda aquela bestialidade daquele ser lhe fosse imputada ficaríamos com um chato. As bestas são seres divertidos. Eu gosto das bestas, sempre dá para rir um bocado. E aquelas aulas dadas sem ser por alguém que, assim de vez em quando, faça a gente rir um bocado seriam o suicídio em massa. O Horror. O Pânico – parafraseando o tio Albarran. Para ter umas aulas de «» engraçadas e mesmo preciso ser besta.

Ora imaginemos um C. sem bestialidade. Imaginemos pois um chato. Não há pachorra para aturar chatos. E o pior e que «eles andem aí». E temos que levar com eles – porque até somos gajos bem-educados e tal e quando um marmanjo da minha turma me dirige a palavra não lhe vou virar a cara. Por isso levamos com os chatos. E, desculpem me lá, é uma chatice aturar chatos e não desejo isso nem ao meu pior inimigo. A única coisa pior que um chato, é um chato burro. Um daqueles chatos que consegue ser tão absolutamente chato, que nos sujeita a sua estupidez sem conseguir perceber que estamos a manda-lo para trás. É uma chatice! E como o chato que é chato não consegue enxergar que é chato, não percebe que ninguém se está para chatear com as chatas chatices pelas quais os chatos se interessam. São coisas chatas, é uma chatice. É o Horror. O Pânico! A repentina vontade de bater contra as paredes ou de correr contra uma janela aberta.

Eu só vejo uma solução: A criação de um gueto para os chatos. Uma estrutura organizada para os chatos. Onde eles possam conviver numa sociedade mais ou menos segura – para eles, mas especialmente para nós – onde os chatos ganhariam uma certa e progressiva higiene social que lhes permita, a curto, médio, longo ou longuíssimo prazo ficar lá a vida toda ou ate conseguirem ter uma conversa interessante. Poder-se-ia chamar a essa estrutura hospício ou centro de reabilitação social

Tudo isto parece muito engraçado mas a chatice e um gravíssimo problema social. A chatice é motivadora do desinteresse. Se a politica não fosse tão chata, estaríamos mais receptivos a participar nela. A chatice que a politica é, é um enorme entrave a uma vivência verdadeiramente Democrática. Se formos por outra via, a chatice faz divórcios – ninguém quer estar – até ao resto da vida, pelo amor de Deus – com um chato. A chatice causa insucesso escolar – é uma chatice estudar. É uma chatice levar com chatos – faz-me dores de cabeça.

terça-feira, outubro 10

Quando se está apaixonado não se quer saber...
Quando se está apaixonado não são precisas palavras,
Quando se está apaixonado é tudo relativo...
Quando se está apaixonado tudo é único...
Quando se está apaixonado tudo é interminável...
Quando se está apaixonadamente, cansado, nada cansa...
Quando se está apaixonado a voz doi, e canta à mesma...
Quando se está apaixonado o horizonte é sempre outro, mas comum...
Quando se está apaixonado não se quer pura e simplesmente saber...

segunda-feira, outubro 9

Quando se está farto...

Quando se está farto não se quer saber.
Quando se está farto não são precisas palavras,
Quando se está farto é tudo relativo.
Quando se está farto tudo é repetitivo.
Quando se está farto tudo é interminável.
Quando se está farto tudo cansa.
Quando se está farto a voz esvai-se.
Quando se está farto o horizonte é sempre o mesmo.
Quando se está farto não se quer pura e simplesmente saber...

sexta-feira, outubro 6

(... novos susurros gelados ...)

quinta-feira, outubro 5

YES!

quarta-feira, outubro 4

Diferentes conceitos...

Encontrei estas citações e não pude deixar de achar curioso o facto de haver opiniões com prismas tão contrários aos dos meus conceitos de amizade e amor, o que as torna muito interessantes.


"Entre dois amigos, apenas um é amigo do outro."
Alphonse Karr

"A amizade? Desaparece quando o que é amado cai na desgraça ou quando o que ama se torna poderoso."
François René Chateaubriand

"Amar é fazer pacto com a dor."
Julie de Lespinasse

"A felicidade é no amor um estado anormal."
Marcel Proust

"Um amigo assemelha-se a um fato. É preciso largá-lo antes que esteja usado, senão é ele que nos larga."
Jules Renard

"O amor destrói. A amizade constrói."
Vergílio Ferreira

"Amar é serem estúpidos juntos."
Paul Valéry

terça-feira, outubro 3

Na sequência dos acontecimentos da passada Sexta-Feira dia 29 de Setembro, queria aqui deixar as minhas condolências, bem como os pêsames da equipa do Quebra-Gelo, à família de uma pessoa que nos marcou pela sua forma simples e inspirada de estar na vida.
Com certeza que foi um exemplo para todos nós, dos mais novos ao mais velhos, e uma lição de vida que jamais esquecerei.
Por tudo isto afirmo que o Fédon foi uma pessoa excelsa, íntegra e que viverá na memória daqueles que o amam.

Obrigado.